terça-feira, 23 de outubro de 2007

Carro do Povo - 1.ª Parte

O KDF-WAGEN A Kraft durch Freude, que pode ser traduzido como "Força pela Alegria", a organização para os tempos livres da DAF - Deutsche Arbeitsfront, a Frente Alemã do Trabalho, a grande organização corporativa do regime nazi, foi quem mandou construir a fábrica de Wolfsburg, onde foi produzido o "carro do povo".
Tudo começou em 1934 quando Hitler encomendou ao engenheiro austríaco Ferdinand Porsche o desenvolvimento de um pequeno automóvel "para o povo". Porsche tinha sido director técnico da Daimler-Benz, mas no começo dos anos 30 tinha-se estabelecido por conta própria como designer de automóveis desportivos e de competição, em Stutgart, no sul da Alemanha. Um dos seus projectos era o de desenvolver um carro pequeno que fosse, ao mesmo tempo, barato e económico; um «carro popular», que em alemão se dizia Volkswagen. O primeiro estudo foi realizado em 1931 para a Zundapp, e o protótipo, com o nome de tipo 12, foi produzido no ano seguinte, mas abandonado. Em 1932, o projecto foi reaproveitado a pedido da NSU, mas também acabou por ser abandonado. Em 1933, Hitler abordou Porsche, que conhecia desde 1924, sobre a realização de um carro popular e pediu-lhe a apresentação de projectos. Porsche, entre outros, apresentou um projecto com base numa plataforma com suspensão dianteira e traseira com barras de torção, com um motor de 4 cilindros arrefecido a ar, por meio de uma turbina movimentada pela árvore do dínamo. A carroçaria baseava-se nos carros de corrida Bentz e no Tropfenwagen de Rumpler, um carro em forma de gota de água. Foi este projecto que Hitler apoiou em 1934, e que foi formalmente contratado com a Reichverband der Automobilindustrie (RDA), a associação industrial da indústria automóvel. O carro que foi encomendado tinha que ter como características, um motor traseiro de 986 cc, de 26 cavalos, uma velocidade máxima de 100 km/hora, não pesar mais de 650 kg, ser refrigerado a ar, e consumir 7 litros aos cem quilómetros. Imitando a solução encontrada pela Ford, com o seu modelo T, o Volkswagen, também só seria fabricado numa única cor - um azul escuro acinzentado, quase preto. Os primeiros protótipos foram terminados em fins de 1935, sendo baptizados com o código VW1 e VW2. Os primeiros ensaios em estrada foram realizados de Outubro a Dezembro de 1936, com base em três protótipos, e depois de estes serem analisados por uma comissão de admissão à produção, composta por representantes de todos os construtores de automóveis alemães, o projecto foi aceite. Em 1937 e 1938 foram fabricados à mão, pela Mercedes-Benz, por ordem expressa de Hitler, duas séries de protótipos, conhecidos pelo nome de VW38. Uma primeira série de 30 e posteriormente uma nova série de 60, que realizam ensaios de avaliação em grande escala. Foi em 1938 que se decidiu construir uma fábrica para produção dos Volkswagen. O local escolhido foi a propriedade do conde von Schulenburg, o castelo de Wolfsburg, em Fallersleben na Baixa-Saxónia, a 80 km da cidade de Hanovre. A empresa que iria produzir o novo carro foi registada, em 28 de Maio de 1938, com o nome Gesellschaft zur Vorbereitung des Volkswagens (GEZUVOR) - Companhia para o desenvolvimento do Volkswagen, que foi mudado para Volkswagenwerk GmbH em Outubro seguinte. A fábrica foi lançada por Hitler em 26 de Maio de 1938, sendo aí apresentados os protótipos definitivos, de pré-produção, um dos quais era descapotável e outro com um amplo tecto de abrir. O New York Times de 3 de Julho descrevia-o ironicamente dando-lhe o nome de «Beetle» - Carocha. A sua apresentação ao grande público deu-se no Salão Automóvel de Berlim de 1939, com o nome de Kdf Wagen - o Carro Força pela Alegria! Ao mesmo tempo que se construía a fábrica criava-se uma cidade que teve o nome provisório de Stadt des KdF-Wagens - Cidade do carro Força pela Alegria. O preço estabelecido foi de 990 Reich Mark's, mais 200 marcos para o pagamento dos seguros, num total de quase 1.200 marcos, divididos em pagamentos semanais de 5 marcos. O contrato previa a possibilidade de rescisão, mas a empresa seria indemnizada com 20% do capital pago, não se obrigando a um prazo de entrega, mesmo que o carro já tivesse sido pago.Em finais de 1938 havia 150.000 contratos realizados, que chegaram, em Novembro de 1940, aos 300.000, mas nenhum "Volkswagen" foi entregue a particulares. Entre Maio de 1938 e Setembro de 1939 foram fabricados, à mão, 215 exemplares, sendo que o primeiro destinado à venda saiu da fábrica em 15 de Agosto de 1939. Estes exemplares foram todos entregues a dignitários nazis. A produção em série só começou em Julho de 1941, sendo produzidos ao todo 41 modelos, devido a que a produção se centrava na produção dos modelos militares. Quando em Agosto de 1944 a fábrica foi integrada na indústria de armamento alemã, sobretudo para produzir os foguetes V1, e a produção dos KdF-Wagen foi terminada, tinham sido produzidos, ao todo, 630 exemplares. O primeiro modelo militar, construído na fábrica da Kdf, foi um carro para oficiais, com tracção às quatro rodas e um chassis mais elevado, que teve o nome de Kommandeurwagen, e de que foram construídos 667 exemplares. O modelo tinha boas qualidades em todo-o-terreno, mas a sua prestação em estrada era má, por falta de tracção. Foi o carro que voltou a ser fabricado em 1946, quando a fábrica, destruída durante a guerra, começou a produzir novamente. O Kubelwagen, o modelo seguinte teve muito mais sucesso, tendo sido produzidos 50.788 exemplares. Foi, de facto, o Jeep alemão, nem que seja pelo facto de a carroçaria ser fabricada por uma companhia americana, a Ambi-Budd de Berlim. Devido a ter o motor arrefecido por ar, podia ser usado em qualquer região do mundo, tanto no Árctico como no Norte de África. Em 1944 o motor de 984 cc foi substituído por um de 1.131 cc, o motor que será usado nos primeiros "Carochas" produzidos no pós-guerra. Este modelo voltou a ser produzido nos anos 60, tanto numa versão militar, como numa civil, sendo conhecido nos Estados Unidos por "The Thing" - A Coisa! A outra versão militar, e a última, produzida durante a Segunda Guerra Mundial foi o Schwimmwagen. Veículo anfíbio produzido a partir de 1942, com uma carroçaria completamente estanque, o "Schwimmwagen" era um bom veículo de reconhecimento, devido a ser também um veículo todo-o-terreno. O carro foi desenhado pelo filho do Eng. Porsche, também chamado Fernando, e conhecido pelo diminuitivo Ferry. A Direcção de Material das forças militares das SS - as Waffen-SS, tinha solicitado à empresa de Porsche um projecto para a produção de uma moto com o motor do Kdf-wagen, que tivesse capacidades para todo-o-terreno. O Schwimmwagen, usando o motor de 1.131 cc que será utilizado depois no Kubelwagen, foi fabricado até 1944, tendo sido produzidos 14.283 veículos.

Citroen 2CV

Em 1936, Pierre Boulanger, o sucessor de André Citroen, pede aos engenheiros da Citroen que construam um pequeno carro, económico, capaz de transportar 4 adultos e 50 Kg de bagagem e com um grande conforto, de atingir velocidades até aos 50 kilómetros/hora e com um consumo inferior a 3 litros aos 100. A acrescentar a isso, era também necessário que o sistema de suspensão permitisse conduzir através de um campo com um cesto de ovos, sem que nenhum se partisse, e que o carro fosse tão simples que até a esposa do agricultor fosse capaz de o conduzir. Foi destas estranhas especificações que nasceu um carro que viria a tornar-se uma das lendas do automóvel deste século e que viria a tornar-se conhecido por 2CV. Entre os anos de 1936 e 1939, vários protótipos de TPV (Tout Petit Vehicule, em português, 'Veículos Miniatura') foram desenhados pelos engenheiros da Citroen. Em 1939, a companhia Citroen tencionava apresentar o seu mais recente modelo no Festival Automóvel de Outubro, que viria a ser cancelado devido ao inicio da guerra, em Agosto. De modo a manter o projecto secreto, Citroen mandou destruir todos os prótótipos e pré-séries construidos até então (500) mas alguns foram cuidadosamente escondidos. Depois da guerra, passaram-se, aínda, três anos até que Citroen tornasse público o 2CV, no Salão do Automóvel de Paris, em 1948. A imprensa francesa ficou boquiaberta... não era possível... Citroen tornou-se a chacota de todos, por apresentar um carro assim tão feio. Gerou-se então uma grande controvérsia: uns previam para o 2CV um futuro brilhante, enquanto outros o viam como um fracasso industrial. Por ordem directa de Boulanger, Citroen distribuía o 2CV somente a determinadas pessoas: agricultores, médicos de província, artistas e poucos mais. Só esses podiam comprar o 2CV criando, deste modo, um culto em torno do automóvel. Como determinados artistas franceses, durante as tournées conduziam 2CV. o carro foi bastante exposto e tornou-se popular em pouco tempo. O 2CV foi fabricado em várias séries, desde 1949 até 1990. Um grande número de pequenas e grandes alterações foram efectuadas até alcançarmos a ultima versão que todos conhecemos. O Motor foi aumentado de 375 para 602 cc. enquanto a potência cresceu desde os 9 até aos 34 cavalos (Bhp). A velocidade máxima também saltou dos 60 para os 120 kilometros por hora. 27 de Julho de 1990, 16:00 GMT. O Citroen 2CV junta-se às fileiras das "lendas automóveis fora de produção" quando o ultimo automóvel foi produzido na fábrica Portuguesa e a linha de montagem parou. Durante mais de 40 anos, o 2CV e uma grande variedade de modelos derivados foram conhecidos por todo o mundo. 5515015 unidades (saloon/sedan e van/wagon) foram produzidas em mais de 15 países, incluindo Argentina, Bélgica, Chile, Portugal e Irão.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Gilles Lipovetsky

Gilles Lipovetsky (Millau, 24 de setembro de 1944) é um filósofo francês, professor de filosofia da Universidade de Grenoble, teórico da Hipermodernidade, autor dos livros O luxo eterno e O império do efêmero. Em suas principais obras, principalmente em "A Era do Vazio", analisa uma sociedade pós-moderna, marcada, segundo ele, por um desinvestimento público, pela perda de sentido das grandes instituições morais, sociais e políticas, e por uma cultura aberta que caracteriza a regulação "cool" das relações humanas, marcadas por tolerância, hedonismo, personalização dos processos de socialização e pela coexistência pacífico-lúdica dos antagonismos - violência e convívio, modernismo e "retrô", ambientalismo e consumo desbagrado, etc. O autor irá retornar a esse assunto, tratando de maneira mais ampla essas visões da sociedade, ao referir-se à hipermodernidade, em "Os tempos hipermodernos".
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Públio Siro

Públio Siro. (85 a.C. - 43 a.C.), escritor latino da Roma antiga. Também conhecido como Publilio Sirio, ou como Publilius Syrius ou Publio Sirio, ou Publius Syrius ou Publilio Siro ou Publilii Syri). Era nativo na Síria e foi feito escravo e enviado para a Itália, mas graças ao seu talento, ganhou o favor de seu senhor, que o libertou e o educou.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
"A juventude deve ser domada com a razão, não com a força" "Dificilmente a divindade concede amor e sabedoria" "Ninguém conhece as suas próprias capacidades enquanto não as colocar à prova" "À pobreza faltam muitas coisas, à avareza falta tudo" "É melhor ser ignorante de alguma coisa do que aprendê-la mal"

Fetos

Autor: Francisco José Marques

Solidariedade

Autor: Artur Franco

Igreja sem Cristo

Por Cristo, Sem Cristo Devo começar por dizer, para deixar a minha posição clara, que acredito em Cristo. Acredito na sua mensagem, e nesse sentido, considero-me cristão, embora já não tenha certezas quanto a sua transcendência. Acredito na mensagem de Cristo mas não acredito na Igreja; defendo até a sua auto-extinção, pois penso que a sua postura no mundo apenas afasta o Homem de Cristo. A distância da Igreja com Cristo não é de hoje, não apareceu com a chegada de Karol Wojtyla a Papa, nem com o concílio de Vaticano II. Como dizia Eugen Drewermann, «... A Igreja rejeitou o humanismo durante 500 anos, a reforma protestante durante 450, o Iluminismo durante 200 e as modernas ciências naturais durante 100.» Acrescento ainda que assassinou em nome de Cristo com a Inquisição, e que se calou face ao holocausto dos judeus pelo poder nazi. Esta é a Igreja que temos; que sem nunca fazer «Mea culpa, mea culpa», prefere o discurso inflamado em questões como a contracepção a abrir os seus cofres para evitar a morte à fome de crianças em África. O poder corrompe, e a Igreja é o maior exemplo deste ditado. Quando uma sociedade tem como objectivo o poder, a todo o custo, cometem-se as maiores barbaridades, e justificam-se com dogmas acções injustificáveis. Para que serve afinal a Igreja? Penso que a mensagem de Cristo não precisa da Igreja para chegar ao Homem, e felizmente não sou o único a pensar assim. Homens como Mahatma Ghandi afirmaram que no ocidente, onde a Igreja está enraizada, não existe verdadeiro cristianismo. Apesar do clero declarar que a Igreja somos todos, lembro-me do que dizia Eugen Drewermann, que «... na prática os leigos, que constituem 99% desse povo, só tem um direito: fechar a boca e abrir os cordões à bolsa! É uma Igreja em pirâmide: a hierarquia, com o Papa no cimo, afirma que está na posse da verdade. E os leigos podem dizer o que quiserem nada disso conta.» A Igreja de hoje, no seu circuito fechado, declara-se preocupada com a alma, esquecendo-se do corpo que muitas vezes morre de fome! A Igreja é das poucas instituições com poder para acabar com a fome no mundo, mas prefere investir os seus fundos em instituições como o Banco Ambrosiano, com fortes ligações a Máfia Longe vão os tempos em que ser cristão era sinónimo de perigo. A Igreja acomodou-se, depois reprimiu enquanto envelhecia, e hoje radicalizou-se. Reprimiu entre outros, quem tentou transformá-la por dentro. Neste capítulo a Igreja tem uma longa tradição, desde Copérnico até aos sacerdotes da teologia da libertação. É bom não esquecer o recente afastamento do bispo francês Galieot, ou a atitude hipócrita perante o sofrimento dos timorenses. Porque a Igreja prefere dar-se com o mais forte em detrimento dos mais fracos, funciona como um anestesiante contra os distúrbios dos que julgam merecer mais do que uma vida de miséria. A Igreja hoje, como no passado recente, é uma instituição sem princípios, onde impera a diplomacia e o poder dos fortes, em detrimento da dignidade humana. Se Cristo vivesse hoje lutaria, como lutou há 2000 anos contra os fariseus, contra o poder instalado do Vaticano. Felizmente ainda existem homens com espírito de missão, que dedicam a sua vida ao serviço dos outros, à semelhança de Cristo. Desses, tive a honra de conhecer alguns. Lutam desesperadamente por condições dignas dos menos favorecidos, mas acabam por ficar na base da pirâmide da Igreja, sem poder para mudar o que hoje está em decadência. Isto quando não são calados à força pelo voto de obediência, por se terem tornado incómodos ao gritarem por uma mudança da vida dos que sofrem. O que a Igreja deveria fazer, mas nunca fará, é ceder poder, dinheiro, em troca de vidas mais dignas, de menos fome e menos guerra. A Igreja tem poder económico e uma logística capazes de acabar com as misérias que vemos hoje no mundo. Bastava uma vontade expressa pelo topo da pirâmide, para que os milhares de voluntários dedicassem as suas vidas a esse objectivo. A Igreja poderia acabar com a fome! Poderia fazê-lo, mas não admite perder poder, prefere continuar numa pseudo-envangelização, por Cristo, sem Cristo.
João Fonseca